Uma carta de desabafo publicado no forum do site Tela Brasileira.
Por Gustavo H M Silva
Eu presenciei uma das piores experiências até hoje no mercado de vídeo após mandar meu currículo para uma vaga aqui. (Tela Brasileira)
Como foi: A vaga era ára de TI, como eu entendo de computador, decidi mandar né, melhor que ficar onde estou, pelo menos vou estar de fato em uma produtora.
Após enviar o e-mail, segundos depois tive resposta por ligação. Após explicar que atualmente eu dou suporte técnico para ilhas de edição apple em um orgão público (arquivo nacional RJ, orgão que abriga todo o conteúdo audio-visual do Brasil… Inclusive filmes e filmes e vídeos e vídeos em super 8, 8mm, 16mm, beta-cam, betamax, 35mm e outros), ouvi coisas como: “Para trabalhar aqui você precisa saber Cinema 4D e Adobe after effects”, e “A gente usa tudo PC porque Mac é muito complicado” e o pior de todos “Teríamos que te ensinar porque ai onde você trabalha (AN-RJ Casa Civil), ninguém faz vídeo de qualidade, a edição é só ficar recortando, é coisa fraca” (posso ter trocado uma ou outra palavra por já ter esquecido a frase exata, mas o sentido foi exatamente o mesmo).
Outros comentários englobaram “editor de vídeo hoje em dia tem que saber 3D e After porque não existe mais isso de só editar” e “não tenho como te pagar dois salários sem você saber aftere 3D, os editores aqui que sabem tudo ganham 1350,00, fica até feio para eles e eles podem reclamar” Outro comentário que nunca vou esquecer é “é, você fazer faculdade de noite realmente prejudica muito…Foi exigido/questionado por ele também:
Capacidade de dirigir gravações quando ele não estive presente
Capacidade de escrever roteiros para as gravações quando necessário
Habilidade de montar e desmontar ilhas lineares e não lineares possibilidade de virar a madrugada quando necessário.
Oras! Estou muito ciente que não sou um profissional de ponta. Não tenho experiência real em produtora, não sou um profissional com nome, não tenho um currículo vasto, porém acho que até mesmo para alguém com tempo de carreira, isso é um ultrage, recomendar (para não dizer criticar) que o funcionário fazer um curso superior em design gráfico é prejudicial para a empresa, pagar o valor de 1350,00 (que é a média salarial para editor de VT) cobrando que ele tenha conhecimentos em 3D entre outros e inclusive insinuando que é necessário virar madrugadas a fio (embora ele não tenha mencionado nadinha de nada sobre adicional noturno, horas extras e etc) é muito complicado. Chegaram a questionar a possibilidade de eu ficar um período sem carteira assinada para saber se eu consigo acompanhar o ritmo.
Eu fico pensando se realmente vale a pena perseguir meu sonho… Eu realmente sou apaixonado por cinema, por vídeo, sou dedicado e estudo muito, mas eu gosto de roteiro, filmagem, direção e edição. Esse ramo ta tendo uma baixa tão grande, mas tão grande, que é um absurdo!
Atualmente, no meu trabalho, fazendo suporte de ilhas de edição Apple (que vamos ser sinceros, nunca da problema… são umas maravilhas, eu praticamente fico parado o dia inteiro) eu recebo DOIS SALÁRIOS + 13,80 DE ALIMENTAÇÃO + PASSAGEM + PLANO DE SAÚDE! É o mesmo salário para algo muito mais suave…
Afinal de contas, qual vai ser o futuro de pessoas como nós, editores, cuja atribuição é editar o vídeo, e não fazer efeitos especiais…
Por favor, eu to falando besteira? eu realmente acredito que o salário oferecido é uma vergonha para o que é cobrado… só eu que to pensando isso? por favor, me deem uma luz!
Os jornalistas reclamam da lei que não torna obrigatório o diploma para exercer o ofício, se organizaram e de forma geral protegeram o mercado.
No audiovisual isso nunca existiu, só querem mão de obra, os cursos superiores são menosprezados, a exigência é enorme, os salários defasados.
Isso é brincar com os sonhos de pessoas jovens que estudam RTV.
Cadê as associações e sindicatos dos radialistas?
Por isso abandonei esta área.
O desabafo do Gustavo também é meu.
Antes que eu seja mal interpretado o site Tela Brasileira não é o culpado por nada disso, pelo contrário, é o único veiculo decente para vagas na área e que ainda permite este tipo de discussão à respeito do mercado.