Em 2010 a Skol fez uma campanha em que o apelo era que você pode ser ridículo, mas com uma Skol Litrão pra dividir você é o cara; mesmo que leve o Beto Barbosa pro churrasco dos seus amigos.
A abordagem é engraçada, a construção do personagem ridículo mais os passinhos de lambada e a música “Adocica” deixou o comercial muito bem elaborado, o hit do começo dos anos noventa deixa claro o direcionamento do target (crianças e adolescentes do começo dos anos 90), se torna viralizador, a partir do momento em que as pessoas comentam com os amigos e cantam no trabalho, no bar etc., ou seja, a agência que criou a campanha acertou em cheio.
Este ano outras campanhas surgiram seguindo o mesmo mote.
O Bradesco para divulgar a sua seguradora lançou a campanha “Vai Que…”; em um dos filmes um ladrão rouba um automóvel, e dentro do veículo está o cantor Biafra cantando um dos seus maiores sucessos.
Ele vai cantando até que o ladrão perde a paciência e abandona o carro, entra a locução: “Vai que você não tem um Biafra no seu carro”.
A Fiat lançou o novo Cinquecento e compara o Ricardo Macchi com Dustin Hoffman comparando o tamanho dos dois atores e suas habilidades de interpretação.
A Skol novamente não ficou atrás, dando continuidade à campanha recolocou Beto Barbosa em seu filme, trocando o seu Hit.
Do ponto de vista da propaganda é um sucesso, com certeza vão ajudar nos resultados de seus respectivos clientes.
Já no ponto de vista do indivíduo, como é que fica?
Rosely Sayão comentou no Caderno Equilíbrio da Folha de São Paulo que a imagem que esses comerciais passam para as crianças é de que ser bem sucedido é apenas ganhar dinheiro.
Ela tem razão, se prestarmos atenção nos filmes, os próprios artistas que se depreciam, fico imaginando como o Biafra se sentiu dentro daquele carro se ridicularizando, enfim todos eles.
Alguém pode dizer, “ah mas, eles estão precisando de dinheiro”, mas se rebaixar à esse ponto eu acredito que seja demais, ou talvez não sejam esses comerciais que influenciam a sociedade, mas eles sejam o reflexo do que ela já é.
Se pagou bem, que mal tem?